Guerra dos Sentidos 03
Lotte imaginara que Ingvar cederia com certa facilidade. Afinal, alguém com nove filhos deve ter uma apetite sexual voraz. Mas percebera que não era bem assim. Ele realmente se concentrara. Ele percebera o tamanho do risco e se fechara. E daquela forma, com seu membro flácido, ela não conseguiria os reféns que tanto precisava.
Mas a própria Comandante reconhecera suas limitações. Ela era uma ótima estrategista militar e uma hábil guerreira com a espada, mas na cama, naquelas circunstâncias, não era a mais experiente. Ela tinha e tivera seus relacionamentos. Mas não tantos. Por isso ela precisara contar com Malin.
A morena, sim, parecia dominar os homens - e as mulheres. Ela sabia o que fazer. E, sobretudo, sabia entender o que os outros queriam. Ela era capaz de se adaptar. E, assim, deixara um longo séquito de amores para trás. Homens e mulheres que ela enfeitiçara com seu carisma, seu doce, e, claro, com seu sexo, e que depois ela dispensara. Ela os esquecia. Eles nunca a esqueciam.
Era Malin que resolveria o enigma de Ingvar. Ela conseguiria tirar sua concentração. Lotte estaria ali para ajudá-la. Os papéis de comandante e comandada não estavam mais tão claros e elas trocaram olhares confirmando esse fato.
— Nós temos todo o tempo do mundo, sem pressa — sussurrou Malin no ouvido de Ingvar.
O rei abriu os olhos. Lotte e Malin estavam à sua frente, nuas e sensuais iluminadas pelas tochas e pelo fogo crepitante da lareira. Até ali, ele se saira bem. Não havia o que temer. Fechou os olhos. Sempre seria mais fácil se controlar assim. Os olhos são portas para os encantamentos das bruxas.
Ingvar ouviu Malin cochichar algo no ouvido de Lotte. Ele focou em suas orações a Laeverold, o Deus do Mundo Inferior, Senhor da Guerra e das Almas dos Caídos em Batalha, cuja força se manifestava nos vulcões da terra de Skaknottr. Era estranho pedir forças para algo assim. Normalmente, as orações a Laeverold suplicavam por força, por resistência, por vitória nos campos de guerra. Em outras ocasiões, talvez até houvesse guerreiros que haviam pedido energia para tarefas sexuais. Mas, certamente seria a primeira vez que o Deus de Fogo ouviria uma prece para que o membro viril de um de seus devotos não se enrijecesse.
A cadeira de Ingvar se mexeu. Ele abriu os olhos. Lotte e Malin prenderam as mãos e pés de Ingvar em cordas presas a anéis de ferro no teto e no chão e desataram-no da cadeira. Em seguida, elas o ergueram, forçando-o a ficar de pé, com os braços e pernas abertos. O membro pendia do meio de seu corpo robusto.
“Teriam desistido daquilo? Partiriam para a tortura em si?”
Não. Tortura, dor, não resolveriam a guerra, sabia Lotte.
Elas puxaram mais as cordas. Os braços firmes de Ingvar se retesaram e as pernas foram presas ao chão.
Malin, assumindo o comando, fez um gesto para Satte, outra das moças, que veio prontamente para perto de Ingvar. A um sinal de Malin, Satte se despiu e juntou seu corpo nu ao de Ingvar, esfregando seu sexo nas coxas do homem, enquanto beijava sensualmente seu peito e pescoço.
Ingvar mais uma vez fechou os olhos e esforçou-se para pensar apenas em orações e em seus filhos.
À sua frente, o rei-guerreiro sentiu Lotte se ajoelhando e colocando o membro na boca. A umidade quente dos lábios e da língua de Lotte cobriram o membro de Ingvar. Ao mesmo tempo, Malin colocou-se de lado, mas atrás dele, do lado oposto ao que estava Satte. Ambas lambiam e beijavam o homem, passando as mãos pelo corpo rígido, peludo e musculoso. Malin lambia o lóbulo da orelha de Ingvar quando foi passando os dedos pela coluna do rei, descendo-os enquanto sentia as cicatrizes das batalhas.
Ingvar se arrepiou. Seu membro começava a se enrijecer na boca de Lotte. O perfume das três o inebriavam. Malin soube que estava no caminho certo e continuou seu caminho com os dedos e com a língua. Satte lambia e mordiscava o peito e o pescoço de Ingvar e Lotte chupava o membro real.
Com a língua dentro da orelha de Ingvar, Malin levou seu dedo médio à boca de Satte, que o chupou. Depois, úmido, Malin o aproximou do ânus de Ingvar. O rei gemeu.
“É o começo do fim” — pensou Malin.
Ela acariciou o ânus de Ingvar até que o penetrou com seu dedo médio.
Mais um gemido. O membro ia ficando duro na boca de Lotte.
Satte e Malin gemiam no ouvido de Ingvar enquanto o beijavam e esfregavam os sexos nas coxas dele. A umidade que delas escorria se misturava ao suor do rei. Malin continuou a masturbação no ânus de Ingvar e olhou para baixo. Lotte já tinha um pau completamente duro na boca, que ela lambia com voracidade. Era um membro grosso, cheio de veias e grande. Maior do que Malin imaginara. Lotte não conseguiria enfiar aquilo tudo na boca.
Lotte achou que já era hora.
— Venha, Satte.
Lotte e Malin firmaram os quadris de Ingvar. Com ele preso, Satte pôs-se à frente do rei, empinou o quadril e com a mão direita direcionou o pau grande, grosso e quente para dentro de si.
Foi a vez de Satte gemer. Não estava acostumada com um pau como aquele. O membro abria caminho pelo sexo da morena mostrando que ela ainda precisaria se acostumar com aquele volume.
— Vadia! — gritou Ingvar — Vadia. Me larga. Sai de mim!
Satte passou a movimentar seu sexo forçando a entrada e saída do membro, mas o rei resistia a gozar.
Malin mandou-a parar e trocou de lugar com Satte. Ela colocou as mãos no pau de Ingvar e passou a masturbá-lo indicando a Lotte que continuasse as carícias anais. Com lascívia, Malin puxou os dedos de Lotte para sua boca, lambeu-os, umedecendo-se e, assim, permitiu que ela os enfiasse em Ingvar.
Malin sabia como masturbar um homem. Não é tão simples e fácil como parece. A maioria das mulheres não consegue. Ela, não. Ela dominava essa arte.
Em pouco tempo, o membro de Ingvar latejava nas mãos de Malin. Estava pronto. Ela fez um gesto e Satte pôs-se de quadril empinado e sexo arreganhado na frente de Ingvar. Malin voltou a masturbar o ânus de Ingvar e a beijar seu pescoço e orelha. Lotte pegou o pau de Ingvar e colocou-o na entrada de Satte. Dessa vez entraria facilmente.
— Putas, vadias, putas… ahhh… ahhh… putas… ah…
Ame, a última das mulheres, aproximou-se de Satte para dar-lhe apoio. Ela segurou as mãos da amiga com força, sentindo as estocadas que ela levava.
Malin forçava o dedo no ânus de Ingvar de modo que ele não tinha opção que não estocar aquela tora que trazia entre as pernas no sexo de Satte e Malin ajudava no movimento.
Com um grito contrariado, Ingvar despejou um jorro de esperma dentro de Satte.
— Não… não… não…
Já sem forças para resistir, ele deixou que outros jatos de sêmen fossem lançados no sexo de Satte.
Com cuidado para que o mínimo de gozo caísse do seu sexo, Satte retirou o membro de dentro de si e deitou-se na cama.
— Sabe, Ingvar, dizem que a chance de concepção aumenta se a mulher fica com o sexo um pouco para cima depois de receber o sêmen — comentou Lotte, ajudando Satte a se deitar na cama com um travesseiro sob as nádegas e pernas. Lotte, Ame e Malin a acompanharam, deitando-se nuas ao lado dela.
Ame olhava esperançosa para o gozo branco que escorria do sexo de Satte para a cama. Poderia ser o fim da guerra. Temerosa com o desperdício, Ame passou os dedos no gozo e tentou enfiar novamente em Satte. A amiga gemeu e riu, entendendo o que Ame intencionava. Todo o sêmen deveria estar em seu ventre.
Ingvar expressava derrota em seu rosto. Torcia para que Satte não engravidasse. Quem sabe?
A comandante pareceu ler os pensamentos dele e, passados alguns minutos, ela se levantou, vestiu-se e parou diante dele.
— Hoje foi só a primeira. Uma vez por dia o seu sêmen irá para dentro de uma dessas mulheres. Elas estão fazendo isso pelo Rainato e por seu país.
Ingvar olhou atônito.
— E eu quero que você tenha absoluta certeza de que os filhos que elas carregarão nos ventres são seus, por isso, pelos próximos meses elas ficarão com você aqui, nesse quarto, por todo o tempo. Afinal, se a mãe é sempre certa, quero que você saiba, sem sombra de dúvidas, que é o pai dessas crianças.
Lotte virou-se para Satte, Malin e para Ame.
— Obrigado. O serviço de vocês será sempre lembrado por mim e pela Rainha Annike.
***
4.
A partir dali Malin guiou Satte e Ame todos os dias na tarefa de receber o gozo de Ingvar. Elas se revezavam nas posições, cada uma sendo penetrada uma vez. Malin desenvolvia técnicas e táticas para que sempre Ingvar gozasse, ainda que o rei se esforçasse para que isso não ocorresse.
Enquanto não estavam copulando, as três conversavam nos cantos, liam e jogavam. O rei era levado por guardas para banhar-se e fazer suas necessidades, depois era trazido de volta para o quarto. Todo o tempo ficavam à frente de Ingvar.
Algumas semanas depois, Lotte, Satte e Ame estavam com barrigas proeminentes. Malin não engravidara, mas ajudara as demais.
O rei Ingvar via Satte e Ame vivendo a seu lado, sem contato com outros homens e não podia ter dúvida de quem era o pai.
Bom, quase todo o tempo.
Uma de cada vez, elas iam banhar-se e depois retornavam cheirosas e limpas e continuavam a conversar, ler e jogar.
Grávidas, não havia mais necessidade de sexo. O rei fora largado em um canto, amarrado, apenas assistindo ao cotidiano das três. Elas, agora, não precisavam mais dele. A tarefa havia sido cumprida.
Em um fim de tarde, Satte estava deitada após o banho com Malin na grande cama coberta de peles enquanto Ame tomava banho. As duas riam e, em determinado momento, Malin levou a mão ao sexo de Satte. Com carinho, Malin beijou Satte e passou a masturbá-la, tocando seu clitóris. Elas gemiam como se estivessem sozinhas, mas eram observadas por Ingvar. Foi só após alguns minutos que se lembraram dele, preso na cadeira. O pau grande, grosso e cheio de veias estava duro, apontando para o teto, enquanto ele assistia à cena. Não havia mais porque ele tentar evitar a ereção.
A verdade é que, em algum momento daquilo tudo, já derrotado, Ingvar passara a acreditar que as mulheres haviam se apaixonado por ele. Que elas o queriam, o desejavam. Que tinham estado loucas para possuí-lo o tempo todo. Que sentiriam sua falta quando ele se fosse e sonhariam com ele nas noites vindouras. Na verdade, porém, ele é que tinha se envolvido com elas. Era um sentimento estranho, não era amor, não era paixão, mas era um pouco dos dois. Ele passou de rejeitá-las a querê-las. De odia-las, a ama-las. Quando as via voltando do banho se pegava imaginando se lá dentro, na solidão da água quente, elas estavam pensando nele. Se se tocavam imaginando que ainda precisavam do sêmen dele em seu ventre. Certamente. Certamente elas pensavam nele enquanto estavam lá no banho, sozinhas. E isso o excitava ainda mais. Era um garanhão cuja semente estava plantada nelas. Elas podiam fingir o quanto fosse, mas ele sabia, ele tinha certeza, de que estavam apaixonadas e cheias de tesão por ele. E por isso ele fazia questão de exibir tanto quanto possível seu pênis duro para elas. Elas iriam ceder, mais cedo ou mais tarde, e voltar a sentar nele e gemer e gritar e gozar e serem gozadas.
— Você gosta? Você quer essa boceta gostosa da Satte? — perguntou Malin sedutora.
Ela arreganhou as pernas de Satte, revelando o sexo úmido cercado por pelos escuros. Depois colocou-se entre as coxas dela e começou a lambê-la.
— Quer comer ela? Quer?
O rei grunhiu:
— Quero… — O pau duro e latejante.
Malin se aproximou puxando Satte pelas mãos, em seguida colocou-a de quatro na frente do rei com o sexo exposto. A vagina e o ânus apontando para o pau de Ingvar.
— Você quer que ele me coma? — perguntou Satte.
Malin olhou maliciosa para Satte. A bucetinha ali, encharcada, pulsando. O cuzinho rosa exposto, piscando. Satte gemendo baixinho, como a implorar por ser fodida.
— Quer?
— Quero…
Malin se abaixou, lambeu a boceta de Satte e depois seu ânus. O pau de Ingvar parecia que iria explodir.
— Ela não é pra você. Nenhuma de nós será sua nunca mais.
E deu-lhe um forte tapa no rosto, retornando com Satte para a cama.
Os meses passavam e as barrigas das mulheres cresciam. Estavam sempre cheirosas, após longos banhos quentes. Se havia alguma vergonha, elas perderam e com frequência transavam entre si no quarto, certas de que ninguém entraria. Era frequente que duas estivessem transando enquanto outra simplesmente lia ao lado na cama.
De tanto ficar de pau duro sem gozar, o rei passou a ter dores em seu membro. Cada dia as dores pioraram. Ele implorava para que pudesse penetrar uma delas. Sem sucesso. Depois suplicou para que Malin ao menos o masturbasse. Ela não só negou, como pôs-se a chupar Satte na frente dele até que ela gozasse em seus lábios.
***
5.
O primeiro a nascer foi o filho de Satte. Um menino forte, de cabelos escuros. Veio numa lua cheia e recebeu o nome de Erik. Em seguida, Ame deu à luz uma menina, a qual chamou de Felicie. Uma semana depois, Malin concebeu um rapazinho rosado cujo nome foi Sondre.
Todos os partos ocorreram no quarto e foi a primeira vez desde o início que outras pessoas que não Lotte, Malin, Satte, Ame e Ingvar ingressaram naquelas aposentos.
Os filhos foram colocados no colo de Ingvar, que foi mantido amarrado. O rei chorou ao ser apresentado a cada um por Lotte.
— Erik, esse é seu pai, Rei Ingvar; Felicie, este é seu pai, Rei Ingvar; Sondre, este é seu pai, Rei Ingvar.
— Seus filhos são saudáveis e fortes, mas estarão sob meus cuidados. Eles não saírão de Maervegr enquanto você for vivo. Eu garantirei que todos, Erik, Felicie e Sondre sejam bem cuidados e que, no tempo certo, saibam quem é seu pai. Mas tudo isso depende da sua palavra. Se você continuar a guerra, seus filhos morrem. Se você atacar a Rainha Annike, seus filhos morrem. Se você nos ameaçar, seus filhos morrem. Se qualquer dos Vaernes nos atacar, a cabeça de seus filhos irá em uma bandeja para o Castelo Haulgland. Se seus outros filhos ou generais nos atacarem, seus filhos serão lançados aos tubarões. Entendido?
Ingvar concordou.
Em seguida, Lotte trouxe documentos já assinados pela Rainha Annike que firmavam o acordo de paz e Ingvar assinou. No mesmo momento, ele também assinou um reconhecimento de paternidade dos três, concedendo a guarda para as mães, sob os auspícios da Rainha Annike.
Nove meses após a captura de Ingvar, a guerra havia finalmente terminado e o rei pode retornar para Skaknottr, mas não sem antes deixar para trás um pedaço de si. Da carroça real Ingvar viu afastar-se o castelo no qual fora mantido cativo e no qual deixava três de seus herdeiros. Enquanto vivesse, não quebraria a promessa de paz.
Naquele mesmo momento, a Rainha Annike, a Comandante Lotte e a ajudante Tanja entraram no quarto-cela.
— Eu não acredito que deu certo, Lotte!
— Era um bom plano — respondeu.
— Como você sabia que elas engravidariam dele? — perguntou a rainha — Isso poderia ter demorado mais tempo.
— Era um risco, sim. Por isso eu quis diminuir essa chance. Elas precisavam engravidar. Precisava que fossem três mulheres fertéis. Mas isso não bastaria. Ainda precisaria aumentar a probabilidade. Ingvar precisava de uma ajuda.
Annike não entendeu.
Lotte puxou a rainha para o amplo banheiro com a tapeçaria na parede dos fundos.
— Tanja, acho que é hora de você mandar retirar esse tapete e retorná-lo para a sala de jogos do castelo.
E puxou a ampla peça de tecido, que caiu ao chão, revelando um buraco na parede do tamanho de uma pequena porta.
— Mandei que Tanja procurasse um mestre-pedreiro para derrubar essa parte da parede e colocar esse tapete. Por esse espaço, Ame, Malin e Satte passavam a cada vez que diziam que iam tomar banho. Vem comigo.
As três chegaram em um pequeno cômodo com uma cama desarrumada.
— Aqui as três transavam e aumentavam as chances de engravidar. Satte transava com seu namorado, um sujeito bonito e gentil, pescador em Caernik; Ame fazia amor com um soldado que ela escolhera a meu pedido, futuro capitão; e Malin trouxera dois de seus antigos amantes. Só pedi que se assegurassem de que os homens fossem razoavelmente parecidos com Ingvar, a fim de que, quando os bebês nascessem, não houvesse suspeitas. Todas serão muito bem recompensadas pelos serviços, recebendo terras e ouro. O Tesouro pagará todas as despesas com as crianças para sempre.
— Só a mãe é certa… — murmurou Annike.
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