Guerra dos Sentidos 02

 

  1. 2

Ingvar não compreendia o que estavam esperando para usar-lhe como moeda de troca. Certamente, seus generais ofereceriam uma quantia generosa de ouro em troca de sua vida. Ou talvez Anniken o matasse. Não importava. Seus filhos estavam seguros e a guerra seria vencida de qualquer forma. Ele estar vivo era de somenos importância.

Mesmo assim, fora um azar tremendo ter sido capturado. Mas, como poderia prever o deslizamento de pedras? Não poderiam. Ainda bem que não trouxera os filhos. Sua semente estava segura.

Nos primeiros dias ele fora mantido em um aposento apertado, mas decente, do castelo. Uma cela destinada a religiosos ou algo assim, provavelmente. Mas naquela tarde fora levado para um quarto mais amplo, com uma cama enorme coberta de peles e uma porta nos fundos, que dava para um banheiro enorme, com uma latrina, pias e uma banheira. Aquele, sim, parecia um aposento, senão digno de um rei, ao menos de um prisioneiro de sangue azul. No centro do aposento fora colocada uma robusta cadeira de mogno.

Ingvar recebeu ordens de se banhar e, apesar do estranhamento, acatou com prazer, deitando-se na banheira de pedra repleta de água termal. 

Não, era, porém, de sua natureza a docilidade. Pretendia fugir tão logo fosse possível. E, caso aquelas vadias o quisessem matar, não daria a elas o gosto de ir para a forca em público. Cairia lutando. Mas ainda queria saber o que Annike e sua cadela de vigia, Lotte, queriam com ele. Um acordo de paz? Talvez. Ele poderia concordar. Pagaria um valor, firmaria um tratado. E tão logo pudesse tomaria aquela merda de país para ele de qualquer jeito. Depois seus olhos vasculharam o ambiente ao redor e ele reparou na sala de banhos. Era espaçosa e fria. A parede ao fundo fora adornada com tapeçarias que traziam as leoas da Casa Balstad em prata sobre montanhas cobertas de neve.

“Imbecis” — pensou Ingvar — “essa merda de tapete vai apodrecer com os vapores dos banhos. Só as imbecis daqui pra colocar tapetes nas paredes de banheiros. Foda-se. Quando isso aqui for conquistado meus filhos vão limpar a bunda com esses tapetes e com os vestidos de seda dessas putas”.

Essas divagações estavam na mente de Ingvar quando os brutamontes que o vigiavam foram chamados, ouviram ordens e mandaram que ele se sentasse na cadeira.

— Minhas roupas! — pediu Ingvar.

Nenhum dos guardas respondeu. Apenas o amarraram firmemente na cadeira de madeira. Mãos, braços e pernas presos com tiras grossas de couro.

O rei tentou reagir, mas afiadas espadas aproximaram-se perigosamente de sua garganta. Ainda não era a hora de lutar até a morte. Ali seria apenas gado no matadouro. Não passaria mensagem alguma. Seria tolice.

Ainda sem explicações, os soldados saíram e atado à cadeira e nu o rei foi deixado no centro do aposento de pedra iluminado com tochas. Sob o peitoral amplo e forte, coberto por grossos pêlos negros, o coração batia acelerado de expectativa.

A espera não demorou.

O rangido da porta revelou a figura imponente de Lotte. Dessa vez ela não trajava a armadura ou sequer a pesada capa de pele de urso, mas apenas um vestido vermelho escuro preso por uma fita na altura da cintura e calçados de couro de cano alto. Sem mangas, era possível ver suas tatuagens draconianas cobrindo-lhe o braço direito e partes do esquerdo entremeadas por símbolos tribais e militares. O cabelo loiro-avermelhado fora penteado e arranjado em tranças. Uma adaga fina adornava ameaçadoramente sua cintura.

— O que você quer, vadia? — gritou Ingvar — e cuspiu próximo aos pés de Lotte. Dinheiro? Posso arrumar ouro. Talvez possamos negociar uma parte das terras que conquistei. Mas, acho que você tem pressa. Sabe que meus generais estão para derrubar as suas barreiras no Desfiladeiro Gallanmond. 

Ela o fitou por alguns momentos e depois fez um sinal com a mão para a porta. Três mulheres entraram e ficaram atrás de Lotte, quietas, mas com semblante tranquilo. Todas jovens, entre dezoito e vinte e cinco anos e inquestionavelmente lindas.

— Quero reféns — respondeu Lotte. Darei a sua liberdade em troca da liberdade de alguns de seus filhos.

Ingvar gargalhou.

— Jamais. Jamais.

A proposta pareceu absurda demais a Ingvar. Como assim? Tudo o que ele fizera fora justamente pelos filhos. A proposta de Lotte só poderia ser uma piada. Mas quando percebeu que ela mantivera a expressão séria, Ingvar resolveu completar sua resposta, frisando sua negativa.

— Cada um dos meus filhos vale mais do que toda essa terra.

— Imaginei — disse Lotte — Mas acho que você não entendeu. Eu sei que você não trocaria nenhum dos seus filhos por um resgate. Eles valem mais do que terras ou ouro ou mesmo que a sua própria vida.

O Rei ouvia atento, ainda sem compreender onde Lotte pretendia chegar.

— Porém, nada impede que você tenha mais filhos. E fiquemos com esses novos como reféns.

— Nunca! — gritou Ingvar.

Lotte, então, deu alguns passos e se posicionou atrás de Ingvar.

— Isso é para o caso de você pensar em morder — e colocou uma tira de couro na boca do rei.

O homem ainda estava aturdido. Não iria ter filhos com Lotte ou com quem quer que fosse. Só então se deu conta de que estava nu e sentado em uma cadeira totalmente amarrado. Ainda assim, sendo homem, nada o poderia compelir a fazer filhos contra sua vontade. Não era assim que funcionava.

Lotte voltou-se de frente para Ingvar enquanto as moças pareciam relaxadas e tranquilas e procuraram cada uma um lugar para se sentar.

A Comandante sensualmente postou-se próxima a Ingvar e vagarosamente tirou uma alça de seu vestido revelando um seio farto com auréola rosa. A luz da lareira atravessava o vestido diáfano e revelava o que estava por vir. Em seguida ela tirou a segunda alça e o vestido desceu etéreo e descansou aos pés de Lotte, revelando o outro seio, uma barriga cuja lateral era pintada por tatuagens e um sexo coberto de pêlos cercado por coxas firmes e grossas.

Foi inevitável que o cheiro do perfume de Lotte chegasse ao olfato de Ingvar. Era bom. Lavanda, mel, algo cítrico como lima. 

A visão deslumbrante de Lotte nua e seu aroma sensual causaram um reflexo involuntário em Ingvar e seu pênis ameaçou se enrijecer.

“Não! Não posso! Preciso resistir a tudo. Essa vadia não vai me seduzir”.

A imagem dos seios e do sexo de Lotte a centímetros do rosto de Ingvar o fez completar o pensamento.

“Não posso ver nada. Se eu não vir nada, ela não terá qualquer chance” — e fechou os olhos.

Lotte esperava por isso. Ele iria fechar os olhos e não havia nada que ela pudesse fazer se quisesse que ele ainda fosse capaz de gerar filhos. Mas os demais sentidos não é possível que um homem ignore. Não pode não escutar, ignorar um toque, evitar um cheiro ou recusar um gosto. As armas de Lotte não estavam na visão, mas nos demais sentidos. Fora por isso que escolhera com tanto cuidado o perfume que usava. Era um de especial agrado da Rainha, vindo de longe, de uma terra onde não fazia frio, havia frutas de todas as cores e as pessoas andavam quase nuas pelas ruas. Fora a contragosto que Annike cedera o frasco cor de rubi para essa missão inusitada. Esse aroma era para ocasiões especiais, não para seduzir um grosseiro e rude sujeito que não tinha mais modos do que um reles soldado. Era um bruto sem classe, sem sutileza. Só músculos.

A Comandante Lotte tinha uma missão a cumprir, mas ela sabia que, tal qual nas batalhas, ali era preciso ter paciência. O plano fora dela. Ela iria executá-lo. Era uma batalha, como tantas outras, mas na qual as armas eram os sentidos.

Ela rodeou o rei deixando seu perfume penetrar-lhe as narinas. Tocou-se os braços suavemente, deixando seus dedos deslizarem até o ombro.

— Tire suas mãos de mim, sua vadia! — rosnou Ingvar.

A raiva, a negação, seriam as defesas dele. Ela precisava trazê-lo para o presente, para o aqui e o agora, enquanto ele tentaria pensar em coisas mil para que seu inconsciente animal não permitisse que se excitasse. Mentalmente, ele precisava estar fora daquele quarto no qual Lotte, cheirando a uma ninfa da floresta, desfilava nua.

Os dedos de Lotte chegaram ao pescoço e ao peito de Ingvar. Ela lambeu o lóbulo da orelha e ele eriçou os pelos da nuca.

“Uma pequena vitória”.

Mas ainda era pouco. O membro continuava flácido. Ele se controlava.

Lotte, por sua vez, trazia à sua mente as cenas mais excitantes possíveis. Ela tinha que estar mais encharcada do que nunca. Concentrou-se. Lembrou-se de passagens especialmente felizes de sua vida, algumas delas ali, naquele mesmo castelo. Ela precisava do rei, mas não precisava pensar nele. Ele seria um objeto e uma missão. Só.

A militar de cabelos ruivo-dourados trouxe à mente um fim de tarde particular, no qual nadara nua no riacho depois fizera amor escondido nas margens. Ela não pudera gritar e escondera seu primeiro orgasmo com as mãos. Se as pessoas que estavam ali do lado ouvissem ela gritando de tesão de quatro, seria um escândalo… Mas não resistira e cedera à tentação mesmo sob todo esse risco. O corpo ainda sem tatuagens fora descoberto e exposto. Seu sexo foi tocado pela brisa fresca e, em seguida, por outras coisas… 

O pensamento à excitou. Umidade se formou entre suas pernas e ela se tocou.

“Aaah…” — ela gemeu baixinho no ouvido de Ingvar. Ela molhou seus dedos profundamente em seu sexo e os colocou sob o nariz do Rei.

Ele sentiu o jeito de sexo e tentou virar o rosto, mas era tarde demais. Depois se esforçou para mexer a cadeira, para cair no chão, para sair dali, mas o móvel parecia — e provavelmente estava — parafusado no chão.

Lotte deixou-o se cansar. Não era o ideal, mas não havia nada que ela pudesse fazer. 

O corpo musculoso e coberto de pelos negros do rei começava a suar. O pênis já não estava tão flácido.

Lotte esfregou seus seios no rosto de Ingvar, vagarosamente. Os grandes seios macios tocaram o rosto de barba grossa e se arrepiaram. Em seguida ela se sentou no colo dele, de frente para ele e mais uma vez fez com que ele sentisse os seios dela contra seu corpo. Em seu sexo Lotte percebia o pênis de Ingvar se entumescendo, enquanto o rosto revelava que o rei tentava de todas as formas evitar a ereção.

Os quadris de Lotte se mexeram em um movimento de vai e vem sobre o pênis de Ingvar. Mais e mais… O membro pareceu inchar um pouco. Ele estava cedendo.

— Malin, preciso de você — falou Lotte com voz sensual.

A mulher de pele morena, cabelos e olhos escuros tirou a roupa e se aproximou dos dois e prontamente atendeu a um sinal de sua Comandante. Mallin com cuidado colocou ambas as mãos no pênis de Ingvar, sentindo seu calor. Com firmeza e cuidado, ela passou a fazer movimentos de subir e descer. Com o membro se tornando mais rígido, Malin colocou-o na boca. Tinha gosto de pau, mas tinha também o gosto de Lotte. Ela não pode evitar um olhar para sua comandante. Era o sabor de seu sexo que estava nos lábios de Malin e que ela sugava com ardor.

— Não… não… não… — murmurou Ingvar. Em sua cabeça o rei evitava a todo custo pensar naquelas mãos suaves o masturbando. Seu reino dependia disso. Não podia ter filhos com aquelas vadias. Não podia deixar que seus filhos fossem reféns daquelas bruxas, putas, vadias.

“Pense nos seus filhos, nos filhos que você já tem. Pense na família. Pense na profecia. Pense no fim da Casa Vaernes. Essa puta não pode vencer”.

E o pênis murchou na boca de Malin.

Ingvar sorriu com desdém. Essas putas não iriam levar vantagem sobre ele.

Mas Lotte e Malin ainda não desistiriam tão facilmente.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Provocações Sussuradas (Cena 3)

Provocações Sussurradas (Cena 4)

Provocações Sussurradas (Cena 2)