Provocações Sussurradas (Cena 5)

 CENA 5. TEMPESTADE


Voltaram até a casa sob um aguaceiro. Mari pegou seu carro e Júlia a acompanhou, enquanto Marco continuava na caminhonete. Estava anoitecendo e não dava para ver muito da estrada na frente em razão da tempestade.

Mari seguiu por um quilômetro e pouco até ver um vizinho fazendo sinal e um carro parado com o pisca alerta ligado.

“O que aconteceu?”, perguntou Mari.

“A tempestade derrubou um barranco. A estrada está interditada. Não passa nem trator agora”.

“Como assim? Como vamos fazer?”

“Amanhã de manhã cedinho vem um trator. Já está conversado. Mas até lá, só se conseguir alguém pra te buscar do outro lado e mesmo assim eu não sei como está o resto da estrada pra lá”.

Mari pensou um pouco. A chuva estava forte e já era noite. O mais racional era não se arriscarem nem pedirem para alguém se arriscar por eles. Teriam que dormir no casebre e esperar até a manhã seguinte. Ela ponderou isso com Júlia, que também não viu outra saída e foi falar com Marco.

Júlia e Marco tentaram esconder a frustração. A tão sonhada noite de sexo não aconteceria! Toda aquela antecipação não levaria a nada. Todo aquele tesão continuaria acumulado... Não seria dessa vez que Marco sentiria seu pau na boceta de Júlia e que Júlia finalmente seria preenchida por aquele membro duro e grosso. Era um anticlímax...

Manobraram os carros e seguiram de volta ao casebre pela estrada escura sob chuva pesada. No carro, Marco não acreditava em seu azar. “Cair um barranco? Justo hoje?”. Júlia também estava inconformada. Se preparara e investira bastante para criar o clima. Ela sabia que sexo é grande parte imaginação, antecipação, jogos mentais, enfim, sedução. A parte física é importante, claro, mas não é o que a maioria parece pensar. Não é o tamanho de um pau ou de um peito, ou a força de uma estocada que faz o sexo ser realmente excelente. O que diferencia um sexo bom, comum, de um sensacional é a cabeça dos envolvidos. É algo não palpável. Às vezes o ambiente faz essa função, às vezes é a proibição, às vezes é a expectativa. São vários os fatores que contribuem para formar o cenário mental ideal para uma transa e Júlia gostava de tentar manipular vários deles de uma vez.

Assim, foi tentando disfarçar a frustração que Marco e Júlia desceram dos carros e entraram na casa junto com Mari. Estavam ensopados e com frio e não havia energia, portanto, nada de um banho para aquecer.

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