DOIS PRESENTES PARA CAROL (cap. 2/10)
Após ler o primeiro capítulo, você provavelmente formou uma imagem minha. Você viu o que te contei e completou o meu retrato com seus palpites e intuições. Talvez você pense que sou uma safada que teve vários parceiros e que viveu tudo muito rápido, que todas as experiências sexuais foram fáceis e simples pra mim.
Nem de longe eu sou assim.
No geral, me considero uma mulher normal, mediana. Não acho que sou mais safada que minhas conhecidas, nem que minhas experiências vieram cedo demais.
Ao contrário: sou até namoradeira. Gosto de ter alguém comigo. Esse só não é o cenário atual. Nesse momento da minha vida eu tenho o Bruno, um ficante fixo, e mais nada.
Mas nem sempre foi assim.
No começo da faculdade, alguns meses depois daquela tarde na casa da Mari, eu conheci um cara, o Ravi, e me apaixonei loucamente por ele logo de cara. Ravi não era exatamente lindo, mas era bonito, alto, inteligente pra caramba, super educado e carinhoso. Como eu me sentia bem nos braços dele! Eu dormia aconchegada no peito dele e ficava em paz!
Quando terminei com Ravi eu sofri muito. Meu coração ficou dilacerado.
Nesse momento, você deve estar se perguntando: por que você terminou com um cara tão legal?
Não faça mal juízo de mim. Espero que você não tenha vivido algo assim para ter que fazer uma escolha tão difícil. Quando terminamos, nós nos amávamos. É complicado. Às vezes as pessoas se amam e mesmo assim precisam se separar. Em alguns casos, a relação traz consigo outros sentimentos além do amor, sentimentos ruins. Com o tempo esses sentimentos vão te corroendo por dentro. Então, uma relação cheia de amor pode se tornar venenosa. Pode fazer mal. Ao contrário do que dizem por aí, só amor não é suficiente. Não em todos os casos. Não pra todo mundo. O amor precisa criar um ambiente saudável, não tóxico.
Acho que preciso contar um ou dois episódios para você entender o que quero dizer. Explicar não é suficiente.
Ravi morava em outra cidade e vinha me visitar aos finais de semana. Numa dessas vezes, eu tinha, por qualquer motivo, ficado com bastante tesão ao longo da semana. Resolvi, então, que aquela vez seria especial.
Com o pouco dinheiro que tinha, comprei uma calcinha mais provocante e a vesti. Me certifiquei que as meninas da república não estariam em casa e me preparei.Deixei um pacote de camisinhas já preparado na mesa de cabeceira, arrumei a cama, fechei as cortinas, passei um perfume e me maquiei levemente.
Tão logo ele tocou o interfone, eu abri o portão e corri pra cama, onde fiquei de quatro. Estava, claro, já encharcada só de preparar todo esse cenário. Dei uma última olhada no espelho e resolvi arrebitar ligeiramente mais a bunda. Ótimo. Estava perfeito.
_ Entra! - gritei ao ouvir que ele estava na porta do apartamento.
Umidade escorria entre minhas pernas, meus mamilos estavam duros, minha boca salivava.
Ele chegou no quarto e fez uma enorme expressão de surpresa. Fiz minha cara mais safada pra ele e o convidei a vir me possuir.
Eu queria que ele já tivesse vindo e arredado minha calcinha pro lado e me penetrado de uma vez. Não queria conversa ou preliminares. Queria que ele metesse em mim como um animal no cio. Mas ele se deitou sobre mim e nos beijamos. Minha boca procurou a dele para matar a sede, meu quadril quase se enfiava no dele. Eu não conseguia conter minha excitação, mas ele parecia querer algo mais leve.
“Tudo bem” - pensei - “mais suave do que eu queria, mas tudo bem. Eu esquento isso agora” - e tratei de me enroscar nele com as pernas. Logo levei as mãos dele aos meus seios.
Demorei até perceber que algo estava errado. O pau dele não endureceu. Ele se esforçou, mas nada mudou
Eu coloquei a mão no pênis dele e tentei excitá-lo, mas ele logo pediu que eu parasse
_ Desculpa, meu amor, eu não estou a fim.
_ Tudo bem - disse me deitando sobre ele. Estava com vergonha de estar ainda com minha buceta piscando, com a respiração ofegante.
Claro, ninguém precisa fazer sexo sem querer. Como mulher, sei que muitas de nós acabam fazendo isso para agradar o parceiro e é terrível. Sexo precisa de vontade. Muita vontade. Se não está a fim, não faz.
Entendi aquela situação como algo pontual. Logo, a gente transaria de novo e voltaria ao normal. Todo mundo tem um dia ou um período de menor tesão.
Mas não foi isso o que aconteceu.
Nos finais de semana seguintes nós intercalamos algumas sessões de sexo, mais ou menos quente, com várias negativas dele. Ele dizia que não estava a fim, que não sentia vontade e eu ficava - literalmente - na mão.
Alguns finais de semana depois, eu fui visitar Ravi na cidade dele. Como de costume, eu estava com tesão reprimido. Um mês sem beijo, sem sexo, me deixaram assim. Estava safada.
Pegamos um Uber para ir tomar uma cerveja. Eu dava aqueles beijos com algo a mais, sabe? Aqueles beijos que deixam clara uma segunda intenção? Nos quais a língua faz uns movimentos suaves, provocantes? Beijos nos quais a respiração revela um tesão forte por trás? Então.
Só que não parecia suficiente. Precisava ser mais explícita. Olhei para a calça dele e pensei no pau dele ali, ao meu lado. Minha boca salivou. Cogitei chupá-lo ali mesmo, no banco de trás do Uber, mas não tive coragem. Sei lá o que poderia acontecer.
Então, só coloquei a mão levemente sobre a calça dele e sussurrei no ouvido de Ravi:
_ Queria te chupar agora, aqui… queria seu pau na minha boca agora…
Ele me olhou assustado.
_ Quê? Como assim? Não!
O motorista ouviu e não entendeu nada. Percebi que ele olhou curioso pelo retrovisor.
Brochei na hora e fiquei sem graça mais uma vez. Me senti suja. Tentei disfarçar, mas não adiantou muito. O resto da noite eu fiquei amuada. Nos dias anteriores eu tinha tentado esquentar o clima por mensagens, mas não consegui.Cheguei até a mandar uns nudes para ele. Achei que tinha conseguido excitá-lo, mas me enganei. Agora, tinha vencido a vergonha para falar algo mais safado, criar um clima, e tinha sido novamente rejeitada. Eu não queria realmente chupar ele no Uber. Eu só queria dizer isso pra criar um clima. Queria que ele me imaginasse ali mamando ele enquanto podíamos ser vistos pelo motorista ou pelas pessoas dos ônibus ao lado. Queria que ele visualizasse jorrando porra na minha boca e eu levantando e me limpando discretamente antes de entrar no bar e cumprimentar nossos amigos com beijinhos no rosto. Que ele pensasse em como seria notar uma gotinha de porra ainda no meu rosto lá no bar. Enfim, queria que ele ficasse louco e quando chegássemos na casa dele, ele me possuísse descontrolado.
Nada disso. Só mais uma rejeição. Eu já tinha perdido a conta de quantas tinham sido. De quantas vezes eu criei a expectativa de sexo e não fui correspondida.
Sim, a verdade é que essas rejeições estavam ficando cada vez mais comuns. A gente até transava de vez em quando, mas muitas vezes, a maioria, eu acho, o Ravi não tinha vontade. Ele educadamente acabava me dizendo que não estava a fim. Talvez fosse algo na faculdade ou, sei lá, alguma coisa que eu não estava entendendo, mas muitas vezes a gente não conseguia transar.
Claro, eu não queria pressioná-lo. Sexo a gente faz quando tem vontade. Eu tentei respeitar ao máximo o espaço dele. Só que, inevitavelmente, eu me sentia rejeitada. Mais que isso: feia, pouco atraente, pouco sexy. Eu passava horas pensando o que havia de errado comigo, por que ele não me queria, o que me faltava.
Como sempre depois de passar , a gente se despedia e eu sentia certo amargor na boca. Acho que vocês vão concordar comigo: sexo é importante pra uma relação. O grau de importância varia pra cada pessoa, cada situação, mas é importante. Nossa… eu jovem… na época da faculdade… e meu namorado não conseguindo apagar meu fogo… era difícil demais…
Decidi conversar francamente com ele. Acredito que um diálogo aberto é fundamental para que os relacionamentos funcionem. Numa tarde de domingo, chamei Ravi para o meu quarto. Estávamos sozinhos em casa, pois o restante das meninas ou tinha ido visitar a família ou estava fazendo alguma coisa qualquer na rua. Então, respirei fundo e introduzi o assunto.
_ Ravi, queria te falar uma coisa. Preciso saber se você está bem.
_ Oi, Carol, estou sim, por que?
_ Por causa de ontem… Eu não sei o que está acontecendo com você. Se está tudo bem entre a gente ou se você está ficando mais distante.
_ Não! Te amo! Muito!
Percebi que havia tocado num assunto no qual ele já pensara.
_ Sabe, Carol - continuou Ravi escolhendo as palavras e corando - eu não sei… é que… eu muitas vezes não sinto tanto desejo quanto parece que os outros homens sentem. Eu ouço meus amigos falando que querem transar todo dia, toda hora e eu simplesmente não tenho essa vontade… É difícil pra mim isso, sabe?
_ Sempre foi assim? Mesmo com suas ex?
_ Sempre. Eu gosto de ficar junto, de ver filme, de beijar, mas não sinto necessidade de transar sempre. Isso te incomoda? Você acha que a gente deveria transar mais?
“Sim! Claro!” - pensei - mas não podia ser tão dura com ele. Colocar ainda mais pressão não parecia ser a melhor estratégia.
_ Não é tanto uma questão só de fazer mais sexo. Você sabe que várias vezes eu quis, mas você não teve vontade. A gente parece que tem necessidades um pouco diferentes. Mas o principal é que eu preciso saber que não tem nada de errado comigo ou conosco. Que você sente desejo por mim… - falei quase chorando ao final.
_ Eu sinto, sim! - ele disse me abraçando - muito! Você é super gostosa!
_ Então estamos bem?
_ Estamos!
_ Mas, Carol, eu já sei que você quer mais… eu vou me esforçar, tudo bem? Vou fazer de tudo pra gente ter um relacionamento como você sonhou. Quero que você seja totalmente realizada comigo!
_ Eu sou! Te amo!
Depois disso transamos como há muito tempo não transávamos.
Ravi me beijou apaixonadamente. Ao contrário das outras vezes, já senti seu pau duro desde o início roçando contra meu quadril. Nos embrenhamos um no outro com com um misto de tesão, alívio, saudade e compreensão. É estranho como esses sentimentos afetam o sexo. Cada uma dessas emoções dá um sabor, um toque, diferente para a relação.
Lembro bem que fiquei bem solta naquela tarde e, como ele queria me agradar, tudo foi muito fácil.
Logo, Ravi tirou minha roupa e abriu minhas pernas. Arreganhada, vi ele mergulhar o rosto em minha buceta.
Ele me chupava e eu gemia alto e rebolava, puxando Ravi pelos cabelos contra meu sexo. A língua dele entrava em mim e depois ia ao meu clitóris. Quando estava quase gozando, o afastei e fiquei de quatro.
Com um olhar provocante, indiquei que ele deveria me possuir com força e dessa vez ele me atendeu.
Ravi rapidamente vestiu uma camisinha e apontou seu pau para minha gruta úmida. Ele pincelou seu membro duro em mim e, em seguida, segurou meu quadril com a mão esquerda e com a direita puxou meus cabelos. Adoro! Gemi descontrolada.
O pau de Ravi entrou de uma vez até o fundo da minha buceta. Gritei. Rebolei. E rebolei mais. E gritei. Livre. Feliz.
Como era bom transar daquela forma com meu namorado. Era isso que eu queria! Só isso!
Eu sei que você pode achar pouco, achar normal. Talvez você transe sempre que quer com seu marido, namorado ou namorada. Talvez você até reclame que ele ou ela quer transar demais. Mas entenda: pra mim, era especial. Eu precisava daquilo. Eu estava me sentindo rejeitada, feia. Você talvez não dê valor ao sexo porque ele te sobra ou basta. Então talvez você não saiba o que é ter alguém e mesmo assim ficar com um tesão imenso reprimido. É pesado psicologicamente.
Por isso eu rebolei e gemi e aproveitei cada estocada dele em mim. Ele metia com força e eu respondia alto. Eu queria aquele pau me rasgando toda, explorando minha buceta até o fundo. Queria que ele mostrasse todo o tesão que sentia por mim. Que me comesse como uma puta safada. Não queria carinho, queria desejo. E naquela tarde ele me entregou tudo que eu esperava.
Com tudo isso passando na minha cabeça eu atingi o orgasmo. Contraí meu sexo contra o pau de Ravi em ondas de tesão. Gritei de novo anunciando que estava gozando no pau dele.
Ele viu meu tesão e me penetrou mais forte, mais rápido e logo o gozo veio. O pau dele latejou dentro de mim até que liberou os jatos de porra.
Suada, precisava de um banho. Dei um beijo em Ravi e fui ao banheiro. Para minha surpresa, Lela, minha colega de república e uma das minhas melhores amigas, estava na sala, vendo uma série na TV. Passei por ela sem graça, mas ela me deu um sorriso de compreensão.
Ravi foi embora à noite. Nos despedimos apaixonados. Eu tinha a firme convicção de que tudo melhoraria.
Só que eu estava errada.
Nos próximos encontros ele voltou a dizer que não estava com vontade. Ficávamos nos beijando, meu tesão aparecia, mas depois ele dizia que naquela noite não estava a fim. E, então, eu precisava “me acalmar”. A sensação de rejeição voltou. Minha autoestima foi sendo corroída.
Quantas vezes naqueles meses eu arrumei uma desculpa para ir ao banheiro e lá me masturbei para tentar apagar o fogo que eu sentia. Depois de um tempo, nem tentava mais tanto transar. Se percebia que não ia rolar, esperava ele ir embora para poder me tocar solitariamente.
Ravi ou não percebia ou fingia não perceber minha tática. De qualquer forma, nada mudava.
Nessa época eu voltei a fantasiar com frequência que transava com dois caras. Me lembrava de Mari dando para Dudu e Pedro e ficava louca de tesão. Foi quando comprei os dois dildos. Eu precisava de uma válvula de escape sexual. Eu precisava me satisfazer e, mesmo sem culpa, meu namorado não fazia isso. Eu não podia forçar Ravi a transar comigo, mas meu tesão não sumia do nada.
O problema é que, psicologicamente, a situação me abalava profundamente.
Quando, por algum motivo qualquer, eu ficava excitada já nem tentava ter uma conversa mais sexy com Ravi no telefone. Apenas fechava a porta do meu quarto e abria minha gaveta de calcinhas em busca dos meus tesouros cilíndricos.
Pobre de mim: eu pegava um consolo e acariciava, como se fosse um pau de alguém ali do meu lado, enquanto o outro eu enfiava em minha buceta. Na minha cabeça, tinha dois caras loucos de tesão por mim. Cada um queria tirar mais e mais do meu corpo. Cada um queria mais me satisfazer. Um me dava o pau para chupar e o outro me penetrava veloz. O final variava: às vezes eu imaginava que o primeiro gozava em mim e depois o outro enfiava na minha buceta cheia de porra e gozava também. Eu ficava inundada de porra, que escorria farta pelas minhas pernas. Às vezes eu imaginava os dois esporrando nos meus seios e rosto, me cobrindo toda daquele líquido branco e quente do sexo.
Depois de um tempo, me dei conta de que nenhum dos dois homens das minhas fantasias era Ravi. Eu pensava ou em homens genéricos, sem nome, ou em caras que tinha ficado ou mesmo famosos. Na minha cabeça eu fiz ménage com vários cantores em tour e atores de cinema. Quem vocês acham que passou pela minha cabeça? Tenho certeza que nesse momento você está pensando em quais seriam os dois homens dos seus sonhos. É inevitável… Não tenha vergonha… Me conta! Mas, mesmo que você não assuma, eu sei que depois que você fechar esse livro e deitar na cama, é nisso que você vai pensar…
Só que, no final das contas, eu me sentia cada vez pior. As rejeições de Ravi destruíram o que ainda restava da minha autoestima. Por mais que eu soubesse que não era culpa dele e que também não era culpa minha, não adiantava e eu ficava triste o tempo todo. Eu pensava em mil jeitos de resolver a situação. Minha mente ia aos extremos: num momento eu cogitava abrir mão do sexo, ter um namoro de "amigos"; no outro eu avaliava que talvez se eu tivesse um caso por fora pudesse salvar minha relação com Ravi.
Sim, o conflito entre minhas necessidades sexuais e meu amor por Ravi me fez pensar que, talvez, se eu tivesse alguém com quem só fizesse sexo, poderia ficar com quem eu realmente amava sem sofrer. Parece loucura e pode ser que seja, mas no meu desespero, fazia algum sentido. Eu me imaginava transando de forma animalesca com um homem qualquer, provavelmente um conhecido, e depois me encontrando com meu namorado só para ficar junto. Me via numa cama desarrumada na sexta-feira, sendo penetrada de quatro, tomando tapas na minha bunda arrebitada e recebendo jatos de porra no rosto, só para sair dali, tomar um banho e esperar o Ravi chegar para vermos um filme juntinhos. Teria amor e sexo. Só não seria com o mesmo homem.
Quantas vezes eu quis essa vida dupla. Quantas vezes eu me deitei, conversei com Ravi pelo celular, desejei boa noite a ele, disse “eu te amo” e, em seguida, peguei meus consolos e me masturbei ferozmente me imaginando sendo comida por outro cara ou outros caras.
Mas, chegou a um ponto em que não aguentei mais.
Eu não poderia trair Ravi. Afinal de contas, eu o amava e ele nunca me fizera mal. Mas também não poderia ficar mais com ele. Minha saúde mental já tinha sido danificada demais.
Terminei com Ravi num domingo. Choramos horrores.
Antes que você me questione: não, Ravi não é gay. Ou, ao menos, creio que não seja. Hoje ele é casado e é pai de um menino e uma menina. Parece que encontrou uma mulher que gosta muito dele. Formam uma linda família. Torço por ele, sinceramente. Acredite. Sei que não é da minha conta, mas, sem querer, quando vejo as fotos dele no Instagram, fico curiosa sobre a vida sexual dele e da mulher.
Foi nesse estado de imenso tesão reprimido e autoestima destruída que conheci o Theo.
E o Theo não só me ajudou a me reconstruir, como também me deu a peça que faltava na minha fantasia.

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